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Aços têm alta no Brasil e mercado caótico nos EUA

25/07/2018 | Valor Econômico


As fabricantes de aço do Brasil, principalmente as usinas de chapas laminadas, inauguram nesta sexta-feira (27) nova leva de reajustes nos preços de seus produtos. Seus principais clientes - dos mercados de distribuição, construção civil, industrial e automotivo - já foram comunicados das novas tabelas.

O principal objetivo das empresas é a recomposição de margens, após bom tempo de perda de rentabilidade em seus balanços. A notícia do Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, impulsionou as ações das siderúrgicas brasileiras na abertura do pregão da B3 ontem: a CSN chegou a subir 8,55%, fechando o dia em 6,35%. Gerdau PN teve alta de 3,8% e terminou com 2,94%. Usiminas, depois de atingir 5,44%, recuou para 2,27%.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) abre a temporada com aumento de 12,25% para bobinas a quente e a frio e 10,75% para o material galvanizado (zincado). No início do mês, a empresa reajustou as folhas metálicas (usadas na fabricação de embalagens) em 9,75%. Foi o primeiro do ano, disse um cliente.

Segundo uma fonte do setor, a siderúrgica começa também a discutir com montadoras de automóveis um reequilíbrio de preços, alegando impacto do câmbio em sua planilha de custos. Tradicionalmente, as negociações com as fabricantes de veículos são fechadas no início do ano. Em janeiro, a alta foi de 18% a 23%.

Em junho, a CSN já havia repassado aumento de 11,75% para as chapas a quente e a frio e 8,25% para as zincadas. A Usiminas havia elevado seus produtos - mesmo mix de CSN, com exceção de folha metálica - ao redor de 12%.

Valor apurou que a ArcelorMittal vai reajustar bobinas a quente e a frio em 12,5% a partir de 1º de agosto e aço revestido (galvanizado) em mais de 9%. A Gerdau vai aplicar 12% para o laminado a quente no início de agosto. A Usiminas deve divulgar sua nova tabela de preços, acompanhando as concorrentes, mas ainda não definiu quando entra em vigor.

No ano, com esses reajustes, o aumento de preço das siderúrgicas, já somam cerca de 30%. É a terceira vez que as siderúrgicas alinham os valores do aço e isso se tornou mais premente com a valorização do dólar frente ao real.

Já nos aços longos - voltados principalmente para construção civil e obras de infraestrutura -, a CSN aplicou em junho aumento de 12% nos vergalhões fabricados em Volta Redonda. E anunciou mais 6% neste mês. ArcelorMittal, Gerdau e Simec seguem trajetória parecida, uma vez que atuam nos mesmos mercados e tem custos de produção similares.

As justificativas das empresas para elevar seus preços, conforme uma fonte disse ao Valor, vão desde a manutenção de alta dos preços do aço no exterior, o que faz com que os prêmios de internação de material importado fiquem zerados ou até negativos, até a variação do câmbio e o forte aumento do carvão e coque metalúrgicos, importantes matérias-primas depois do minério de ferro. Do primeiro para o segundo trimestre, o carvão passou de US$ 210 a tonelada para US$ 250, enquanto o coque saltou de US$ 280 para US$ 370. Os preços maiores dos fretes, após greve dos caminhoneiros em maio, também contribuiram.

Tudo isso pesou nas contas das fabricantes de aço, observou uma fonte. Quando o dólar foi a R$ 3,90, explicou, o prêmio do aço nacional em relação ao importado chegou a ficar entre 12% e 14% negativo, dependendo do produto. Ou seja, comprava-se aço fabricado no Brasil bem mais em conta.

Na China, o preço da bobina a quente, referência do mercado internacional, está entre US$ 590 a US$ 600 a tonelada (R$ 2.250,00). Nos Estados Unidos, a mesma tonelada do produto é vendida a US$ 1.015. Em dezembro, valia US$ 700 - alta de 45%. Expressiva parte desse aumento é fruto da sobretaxa de 25% da política do presidente Donald Trump sobre o aço importado, anunciada em março.