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Vital na pandemia, inteligência artificial reforça papel como aceleradora de negócios

| Embratel

Vital na pandemia, inteligência artificial reforça papel como aceleradora de negócios

No início da pandemia de Covid-19, a consultoria IDC identificou uma queda nos investimentos em tecnologia e inovação, consequência da necessidade de cortar custos de forma emergencial. No entanto, a inteligência artificial (IA) está entre os segmentos que rapidamente viraram o jogo, devendo crescer 12,3% em 2020, na comparação com 2019.

O cenário para os anos seguintes é ainda mais promissor. O Rastreador Semestral de Inteligência Artificial da IDC Worldwide aponta que até 2025 a taxa de crescimento anual composta desse mercado será de 17,1%. As receitas mundiais com IA ultrapassarão US$ 300 bilhões.

É fácil explicar essa recuperação. A pandemia fortaleceu e acelerou uma série de tendências que apontam na direção da transformação digital. São ferramentas de inovação que atuam em conjunto. A IA é central nessa estratégia, impactando os mais variados setores da economia.

Uma das áreas em que a importância da inteligência artificial se mostrou mais clara foi a da saúde. Para lidar com uma pandemia provocada por um vírus até então desconhecido, surgiram programas colaborativos que permitem mapear, com grande velocidade, padrões de evolução da doença no organismo, a partir da análise de milhares de exames.

A fim de cruzar dados de diferentes pontos do planeta, o hospital Johns Hopkins, na cidade americana de Baltimore, desenvolveu um Centro de Recursos do Coronavírus, que coleta e processa informações a respeito da pandemia. Esforço semelhante, focado para o cenário nacional, desencadeou na criação da rede Inteligência Artificial para Covid-19 no Brasil (IACOV-BR).

“A inteligência artificial permite realizar o diagnóstico mais rápido. Também é capaz de identificar, a partir das características do paciente, se ele precisa de internação, de ventilador mecânico ou de UTI”, explica o pesquisador Alexandre Chiavegatto Filho, professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade d

Chiavegatto ressalta legados importantes da iniciativa. “Seremos capazes de identificar se as práticas médicas que funcionam nos grandes centros se aplicam bem a unidades de saúde de cidades menores. Queremos que esse projeto seja aplicável para outras doenças, de diabetes a hipertensão”.

Além disso, diferentes governos, da China ao Reino Unido, passaram a utilizar ferramentas de IA para localizar padrões de disseminação geográfica da Covid-19. Sistemas de monitoramento inteligente de UTIs, que já vinham sendo implementados, ganharam força.

Mas as aplicações de inteligência artificial extrapolam a saúde. A necessidade de evitar atividades externas levou o agronegócio a reforçar o investimento nesse sentido. A IA, combinada com a internet das coisas, vem sendo usada para desenvolver análises e encontrar padrões em dados gerados por sensores que monitoram gado e plantio. Informações que permitem a tomada de decisões como o momento ideal para fazer o plantio ou a colheita, por exemplo.

Mais postos de trabalho

Um dos setores mais beneficiados pela inteligência artificial é o financeiro. Deste modo, foi possível fechar agências bancárias e ampliar o acesso ao atendimento remoto, por conta da pandemia, graças aos anos de investimento na tecnologia. A interação de clientes do segmento com chatbots saltou 212% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária 2020, realizada pela Deloitte para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

"Com a inteligência artificial dando conta de processos manuais e repetitivos, os profissionais de recursos humanos e de contabilidade são liberados para atuar em atividades de maior valor agregado para as companhias”, pondera Mario Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Embratel.

“Na educação, por sua vez, professores terão mais tempo para a interação direta com os alunos, já que a IA vai assumir grande parte da avaliação de desempenho e de dificuldades de cada estudante, de maneira detalhada”, completa o executivo.

Um estudo recente contraria a ideia de que toda essa automação vá resultar em eliminação de vagas. De acordo com a Gartner, entre 2020 e 2025, a IA vai promover 2 milhões de novos postos no mundo todo, especialmente nas áreas de saúde, governança e educação. Por fim, a tecnologia ainda vai gerar uma economia de 6,2 bilhões de horas em produtividade apenas em 2011.